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3 de dez. de 2009

"Eram os Deuses Astronautas?" - ÚLTIMA PARTE - 14

 Enfim chegamos à ultima parte do livro "Eram os Deuses Astronatuas?", espero que tenham lido e gostado da leitura até aqui, ai vai a última parte, divirtam-se :)

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CAPÍTULO XII
 
 
O futuro
 
 
Fábricas do pensamento asseguram o futuro
Para os velhos profetas era mais fácil
Fecha-se o anel
 
 
ONDE ESTAMOS HOJE?
O homem chegará a conquistar o espaço cósmico?
Seres alienígenas da profundidade do Cosmo visitaram a Terra na obscura Antigüidade?
Em alguma parte do Universo, inteligências alienígenas tentam entrar em contacto conosco?
É a nossa época, com suas descobertas que violentamente adentram o futuro, realmente tão
terrível?
Dever se ia guardar em segredo os resultados mais audaciosos da pesquisa?
Encontrarão a Medicina e a Biologia possibilidades para fazer reviver o homem profundamente
congelado? Homens da Terra colonizarão novos planetas? Acasalar-se-ão com criaturas
alienígenas?
Criarão os homens uma segunda, terceira, quarta... Terra?
Robôs especiais substituirão algum dia os cirurgiões? Serão os hospitais, no ano 2.100, depósitos de
peças sobressalentes para homens defeituosos?
Em futuro remoto, poderá a vida do homem ser prolongada por tempo indeterminado, através de
corações, pulmões, rins. etc., artificiais?
Tornar-se-á algum dia realidade o "Admirável Mundo Novo", de Huxley, em toda a sua
improbabilidade e frieza?
O conjunto de tais perguntas poderia assumir a extensão da lista telefônica de uma grande
metrópole. Não passa dia em que em algum lugar do mundo não se faça uma invenção inesperada.
Cada dia uma pergunta do conjunto das impossibilidades é riscada por haver sido respondida. A
Universidade de Edimburgo recebeu do Fundo Nuffield um primeiro subsidio de 270.000 libras para o desenvolvimento de um computador inteligente. O protótipo desse computador foi induzido
a dialogar com um paciente; e o paciente, depois do diálogo, não quis acreditar que estivera falando
com uma máquina! O Prof. Dr. Michie, construtor desse computador, afirmou que sua máquina
estava começando a desenvolver vida pessoal...
A nova ciência chama se Futurologia! Seu alvo é o planejamento e a minuciosa pesquisa e
compreensão do futuro em todos os caminhos técnicos e mentais disponíveis. Fábricas de
pensamento surgem em todas as partes do inundo; não São senão mosteiros dos cientistas de hoje,
que pensam para O amanhã. Só na América trabalham 164 de tais fábricas de pensamento.
Aceitam tarefas dos governos e da grande indústria. A fábrica de pensamento mais famosa é a de
Rand Corporation, em Santa Mônica, na Califórnia. A Força Aérea dos Estados Unidos foi
responsável por sua fundação no ano de 1945. Motivo: as altas patentes militares desejavam um
programa de pesquisas para a estratégia de guerra intercontinental. No centro de pesquisas, de dois
andares, instalado ampla e magnificamente, trabalham na atualidade 843 capacidades científicas
selecionadas. Foi neste edifício que nasceram as primeiras idéias e os primeiros planos para os
fundamentos das aventuras mais inverossímeis da humanidade. Já em 1946, cientistas da Rand
calcularam a utilidade militar de uma nave espacial. Quando a Rand, em 1951, desenvolveu o
programa de diversos satélites, ele foi designado fantasioso. Desde que a Rand começou a
trabalhar, o mundo deve a esse centro de pesquisa 3.000 relatórios exatos sobre fenômenos até
então desconhecidos. Os cientistas da Rand publicaram mais de 110 livros, que impulsionaram
grandemente nossa cultura e civilização.
Não é previsível um epílogo nesse trabalho de pesquisa, e, provavelmente, não o haverá.
Tarefas semelhantes, com vistas ao futuro, são desenvolvidas também nos institutos seguintes:

"Hudson-Institute'', em Harmion-on-Hudson, N.Y.; "Tempo Center for Advanced Studies", da
General Electric, em Santa Bárbara, Califórnia; "Arthur Little Institute", em Cambridge,
Massachussetts, e o "Batelle Institute", em Columbus, Ohio.
Governos e empresas de vulto já não podem passar sem esses pensadores do futuro. Os governos
têm de predeterminar seus planejamentos militares a longo prazo; as grandes empresas devem
precalcular seus investimentos para decênios. A Futurologia tem de planejar o desenvolvimento de
grandes metrópoles para cem e mais anos.
Equipados com o saber de hoje, não é difícil calcular de antemão, por exemplo, o desenvolvimento
do México para os 50 anos vindouros. Numa predição dessas seriam levados em consideração todos
os fatores imagináveis, como a técnica atual, os meios de comunicação e transporte, as tendências
políticas e os eventuais adversários potenciais do México. Uma vez que tal prognóstico nos é hoje
possível, há 10.000 anos uma inteligência extraterrestre poderia ter feito semelhante previsão
também para o planeta Terra.

A humanidade tem a obrigação de imaginar e pesquisar com antecedência o futuro, mediante todas
as possibilidades à sua disposição. Sem esse estudo do futuro, provavelmente não teríamos chance
alguma de decifrar o nosso passado. Pois quem sabe se nos locais de achados arqueológicos existem
indícios importantes para a decifração do nosso passado, os quais estamos pisoteando, desatentos,
porque não sabemos interpretá-los?

Por isso, justamente por isso, é que propusemos um "Ano Arqueológico Fantástico". Como não
"acreditamos" totalmente na sabedoria dos velhos esquemas mentais, também não exigimos que
nossas hipóteses mereçam "crédito". Esperamos e almejamos, isto sim, que nossa época esteja logo
amadurecida para atacar, sem preconceitos, os enigmas do passado mediante o auxílio da mais
requintada tecnologia.

Não temos culpa de que no Universo existam milhões de outros planetas...
Não somos responsáveis pelo fato de a estátua japonesa de Tokomai, de muitos
milhares de anos de idade, ostentar em seu capacete fechos modernos e viseiras...
Nem pela existência do relevo de pedra de Palenque...
Menos ainda somos culpados se o Almirante Piri Reis não queimou seus velhos
mapas e se os livros antigos e as tradições de História da Humanidade apresentam
tantos aspectos desconcertantes...
...Porém, teremos culpa se, sabendo de tudo isso, não o levarmos em consideração,
não o levarmos a sério!

O homem tem diante de si um futuro grandioso, que superará seu grandioso passado. Precisamos
da pesquisa do espaço cósmico da pesquisa do futuro e da coragem para encetar projetos de
aparência impossível. Por exemplo, o projeto de uma bem coordenada pesquisa do passado, capaz
de trazer nos recordações preciosas do futuro. Recordações que, então, terão sido comprovadas e
que, sem a necessidade de apelar para que nelas se creia, esclarecerão a História da Humanidade.
Como uma bênção para as gerações futuras. 

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É isso pessoal, este último capítulo é bem curtinho, mas espero terem gostado.

Abraço a todos e boa semana.

30 de nov. de 2009

"Eram os Deuses Astronautas?" - Parte 13

CAPÍTULO XI
 
 
A busca de comunicação direta
 
 
Sinais para o Universo
Existem transmissões de pensamento mais velozes que a luz?
O caso singular de Cayce - A equação de Green-Bank
Cientistas preeminentes representam a Exobilogia
Qual é o trabalho da NASA?
Diálogo com Wernher von Braun
 
 
A 8 DE ABRIL DE 1960, ás quatro horas da madrugada, iniciou se, num vale solitário da Virgínia
do Oeste, estranha experiência: O grande radiotelescópio, de 85 pés, de Green Bank, foi dirigido
para a estrela Tau-Ceti, distante 11,8 anos luz. O jovem astrônomo americano Dr. Frank Drake
que, como cientista, goza de excelente renome e atuou como diretor desse projeto, queria captar
emissões de rádio de outras civilizações, a fim de receber sinais de inteligências alienígenas do
espaço cósmico. A primeira série de experimentos durou 150 horas; ingressou como Projeto OZMA
na história da Astronomia, embora lhe fosse destinado um malogro. A experiência foi
interrompida, não porque um só dos cientistas participantes tivesse a opinião de que no espaço
cósmico não haveria emissões de rádio, mas porque se havia chegado á compreensão de que,
presentemente, ainda não existem instrumentos cuja sensibilidade corresponda ao fim colimado.
OZMA não permanecerá como experiência única do gênero. Possivelmente será erigido sobre a
Lua um radiotelescópio gigante que, livre das perturbações terrestres, possa sondar os espaços
incomensuráveis entre as estrelas, em busca de sinais de rádio.
Não podemos exigir que uma inteligência cósmica entenda russo ou espanhol ou inglês e, por acaso,
só espere ser chamada... Há, presumivelmente, três possibilidades mediante as quais podemos nos
comunicar: com símbolos matemáticos, com raios Laser ou com imagens. Muitas são as
possibilidades da primeira alternativa. Para a execução, deveriam ser detectados e fixados
comprimentos de ondas intergalácticas, que tenham probabilidades de ser recebidas no Cosmo
inteiro. Com 1420 megaherz, obtemos a freqüência ideal, pois é a produzida pelo hidrogênio neutro,
como resultado da colisão de átomos de hidrogênio. Como o hidrogênio é um elemento universal,
essa freqüência de radiação deve ser conhecida em todo o espaço cósmico. Além disso, 1420
megaherz se situam em faixa que fica acima da confusão de ondas terrestres. As possibilidades de
enganos e interferências estariam reduzidas ao mínimo. Dessa maneira podem ser emitidos
impulsos de rádio para o Universo e, se houver inteligências em Outros astros, elas os reconhecerão. Em conexão com este assunto, a notícia publicada pelo "ZEIT", na edição 51 de 22.12.1967, é de
alto interesse. Sob o título "A Lua é bombardeada com sinais luminosos", consta o seguinte: "É
verdade que a distância da Lua à Terra é conhecida com aproximação de poucas centenas de
metros, mas com isso os astrônomos ainda não querem dar-se por satisfeitos. Por esse motivo, os
astronautas, em um de seus primeiros vôos ao satélite da Terra, deverão levar espelhos e lá montá-
los. Esses espelhos - como se fossem cantos de uma sala - consistirão em três planos refletores
colocados perpendicularmente um sobre o outro e terão a propriedade de refletir, na direção da
fonte de origem, toda a luz que neles incidir.
Esse sistema de espelhos deve ser bombardeado da Terra com raios da duração de um centésimo
milionésimo de segundo, partidos de um emissor Laser, a cuja parte anterior se adaptará um
telescópio com uma abertura de 1,50 m. A luz refletida pelos espelhos colocados na Lua será
recebida pelo referido telescópio e conduzida a um fotocopiador.
Partindo da conhecida velocidade da luz e do tempo que o raio Laser necessitará para vencer o
caminho de ida e volta, os técnicos poderão determinar a distância Terra-Lua com aproximação de
um metro e meio".
O mesmo se pode imaginar em sentido inverso. Há longo tempo, ondas de rádio atravessam o
Universo. Não é concebível, se nossa hipótese estiver certa, que também inteligências extraterrestres
nos chamem? Por exemplo, a energia de radiação de CTA-102 aumentou de repente, no outono de
1964; astrônomos russos comunicaram que possivelmente teriam recebido sinais de uma
supercivilização extraterrena. Essa rádio estrela CTA-102 havia sido registrada pelos rádio
astrônomos do California Institute of Technology, sob o número de catálogo 102 - daí seu nome.
O astrônomo Sholomitski declarou, a 13 de abril de 1965, no auditório do Instituto Sternberg de
Moscou: "Em fins de setembro e princípios de outubro de 1964, a energia de radiação de CTA-102
intensificou se muito. Mas só por pouco tempo, depois tornou a diminuir. Registramo-lo e ficamos
na expectativa. Lá pelo fim do ano, a intensidade da mesma fonte de repente tornou a aumentar;
alcançou de novo o nível máximo exatamente 100 dias depois do primeiro registro". Seu chefe,
Prof. Shklovsky, acrescentou, em complemento, que tais oscilações de radiação eram muito fora do
comum.
Entrementes, o astrofísico holandês Maarten Schmidt descobriu, mediante mensurações exatas, que
CTA-102 deve estar distante da Terra cerca de 10 bilhões de anos luz. Isso quer dizer, portanto,
que aquelas ondas de rádio, caso se tenham originado de seres vivos inteligentes, foram por eles
emitidas há 10 bilhões de anos. Naquela época, porém, nosso planeta - segundo o atual "status" da
pesquisa - nem existia ainda. Esse fato poderia constituir uma espécie de golpe mortal na idéia de se
procurarem outros seres vivos no espaço cósmico.
Se, porém, não houvesse qualquer chance na procura de vida no Cosmo, não se manteriam
astrofísicos na América e na Rússia, no Jodrell-Bank inglês, próximo a Manchester, bem como em
Stockert, perto de Bonn, - com suas possantes antenas direcionais apontadas para as chamadas
rádio estrelas e "quasares". As estrelas fixas Épsilon-Eridani e Tau-Ceti estão distanciadas de nós
10,2 e 11,8 anos luz, respectivamente. Rádio ondas destinadas a esses vizinhos", estariam, pois, em
caminho, durante 11 anos redondos; uma resposta, portanto, poderia chegar aqui após 22 anos.
Ligações de rádio com estrelas mais distantes levarão tempo correspondente mente mais longo;
civilizações, que se situem a distâncias de milhões de anos luz, são completamente impróprias para
estabelecimento de contactos mediante rádio-ondas. Mas são mesmo ondas de rádio nossos únicos
recursos técnicos para tais experiências?
Poder se ia tentar também uma comunicação óptica. Um forte raio Laser - dirigido a Marte ou
Júpiter - poderia, na extensão em que existissem seres vivos inteligentes, não permanecer
despercebido. (Observação entre parênteses: "Laser" é abreviatura de "Light-Amplification by the stimulated emission of radiation" Fotoamplificação através de emissão estimulada de radiação -
exprimindo, mais compreensivelmente, um amplificador de ondas de luz.) Outra possibilidade, que
soa um pouco absurda, seria cultivar o solo em extensas planícies, de modo a se formarem imensos
contrastes coloridos que, simultaneamente, reproduzissem um símbolo geométrico ou matemático
de validade universal. Idéia ousada, porém, perfeitamente realizável: um enorme triângulo isóscele,
em cujos flancos, na extensão de 1.000 quilômetros, se plantariam batatinhas; no interior desse
triângulo gigantesco, semear-se-ia trigo numa grande área circular; assim, cada verão, formar se ia
um imenso círculo amarelo - inscrito num triângulo isóscele verde. Experiência essa, além do mais,
muito útil e rendosa! Se, porém, houver de fato inteligências cósmicas que nos procurem como nós
as procuramos, a imagem colorida de círculo e triângulo seria para elas um indício de que essas
formas não poderiam ser caprichos da natureza... Como dissemos, uma possibilidade. Houve
também alguém que propôs a ereção de uma cadeia de faróis que projetassem a luz de seus
holofotes verticalmente para o céu, e que esse conjunto luminoso tivesse a forma de um modelo
atômico... Propostas, sugestões...
Todas as propostas partem da premissa de que alguém esteja observando nosso planeta. Será que
enfrentamos erradamente o problema, pelo fato de limitar as tentativas apenas aos meios acima
sugeridos?
Por mais cépticos e intolerantes que sejamos quanto a toda espécie de ocultismo, não podemos, no
entanto, recusar nos a investigar certos fenômenos físicos hoje ainda incompreensíveis, como, por
exemplo, as transmissões de pensamento entre cérebros inteligentes, comprovadas sob rigoroso
controle científico, porém, ainda não explicáveis.
Nos departamentos parapsicológicos de muitas universidades famosas fenômenos até agora não
pesquisados, tais como clarividência, visões, telepatia, etc., são investigados através de métodos
científicos exatos. Separam-se e excluem-se daí todas as ominosas estórias de espíritos e fantasmas
de ocultismo duvidoso bem como idéias inspiradas por fanatismo religioso. Consideram-se
exclusivamente fenômenos realmente dignos de investigações em laboratório. Exames isolados e em
série provaram que existe transmissão de pensamento. Nesse campo da pesquisa - que ainda era
tabu até pouco tempo atrás - registraram-se ultimamente importantes avanços.
Em agosto de 1959 concluiu se a experiência "Nautilus". Com essa experiência comprovou se não
somente a possibilidade da telepatia; resultou ainda, da prova, a possibilidade de que as
transmissões de pensamento entre cérebros humanos são mais intensas que as realizadas por meio
de rádio ondas. A experiência foi esta:
A uma distância de vários milhares de quilômetros do "emissor do pensamento", o submarino
"Nautilus" mergulhou algumas centenas de metros sob o nível do mar; todas as ligações de rádio
ficaram interrompidas, pois ondas de rádio, nem hoje ainda, penetram em nível profundo sob a
água do mar. Mas funcionou a telepatia entre o senhor X e o senhor Y
Após tais testes científicos, pergunta se de quanto mais ainda o cérebro humano é capaz! Poderá
assegurar comunicações mentais mais rápidas que a luz? O caso Cayce, que hoje se inclui na
literatura científica, é de molde a admitir tais suspeitas.
Edgar Cayce, simples filho de lavradores do Kentucky, não tinha a menor idéia das fantásticas
capacidades que se escondiam em sua cabeça. Embora ele tenha morrido a 5 de janeiro de 1945,
ainda hoje médicos e psicólogos se ocupam da avaliação de suas ações. A austera "American
Medical Association" concedeu a Edgar Cayce uma licença especial para dar consultas, embora
não fosse médico.
Edgar Cayce adoeceu gravemente quando ainda era menino. Convulsões o agitavam, febre alta
estava prestes a consumir seu corpo, e ele caiu em estado de coma. Enquanto os médicos tentavam em vão fazer a criança voltar à lucidez, Edgar, repentina mente, começou a falar, alta e
nitidamente: explicou porque estava doente, indicou alguns medicamentos dos quais necessitava e
disse quais os ingredientes de uma pomada com a qual deveria ser tratado, mediante fricções em
sua coluna dorsal. Médicos e parentes ficaram estupefatos, pois não podiam imaginar de onde
vinham ao garoto esses conhecimentos e os vocábulos que lhe eram completamente estranhos. Uma
vez que o caso parecia sem esperança, executaram se suas indicações. A cura de Edgar processou-se
clara e rapidamente após o tratamento com os medicamentos por ele mencionados.
A ocorrência divulgou-se por todo o Estado de Kentucky. Como Edgar havia falado em estado de
coma, muitas propostas surgiram no sentido de se hipnotizar o garoto, a fim de arrancar-lhe
dessarte conselhos para novas curas. Edgar não o queria de modo algum. Só quando adoeceu um
seu amigo, ele ditou uma receita precisa, usando palavras latinas que nunca antes tivera ouvido ou
mesmo lido. Uma semana mais tarde, o amigo estava restabelecido.
Se o primeiro caso, como pequena sensação que, no entanto, não podia ser levada cientificamente a
sério, logo caiu em olvido, a ocorrência renovada induziu a Medical Association a constituir uma
comissão incumbida de, no futuro, caso aquilo se repetisse, elaborar relatórios e registrar por
escrito os mínimos detalhes do processo. Dormindo, Cayce possuía conhecimentos e capacidades
que, de outro modo, só poderiam resultar de doutas conferências médicas.
Certa vez, Edgar "prescreveu", a um paciente muito rico, certo medicamento que não foi possível
descobrir em parte alguma. O homem mandou inserir anúncios em jornais de ampla divulgação,
inclusive no exterior. De Paris (!), um jovem médico escreveu que seu pai havia, anos atrás,
preparado esse medicamento, cuja produção, no entanto, há muito que cessara. A composição era
idêntica ás indicações detalhadas de Edgar Cayce.
Mais tarde "prescreveu" Edgar outro medicamento e mencionou o endereço de certo laboratório
existente em uma cidade distante. Feito um chamado telefônico, recebeu se a informação de que a
reparação do medicamento acabava de ser iniciada, que a fórmula estava pronta, que se procurava
um nome para o produto que, no entanto, ainda não se achava à venda.
A comissão de médicos profissionais estava longe de acreditar em telepatia; ela pesquisou sóbria e
objetivamente e comprovou o que estava observando, na certeza de que Edgar em toda a sua vida
não havia compulsado um só livro de Medicina. Instado por todos os lados, do mundo inteiro,
Edgar dava duas consultas por dia, sempre na presença de médicos e sempre gratuitamente. Seus
diagnósticos e conselhos terapêuticos eram precisos - mas, quando ele acordava de seu transe, nada
mais sabia do que havia dito. Quando membros da comissão lhe perguntaram como ele chegava aos
seus diagnósticos, Edgar declarou crer que ele podia pôr se em contacto com qualquer cérebro que
fosse necessário e lhe extrair as informações de que precisava para o diagnóstico. Ele pedia
informes ao cérebro do paciente, que sabia exatamente o que estava acontecendo em seu corpo;
depois, procurava, onde quer que fosse no mundo, o cérebro que lhe pudesse dizer o que deveria ser
feito. Ele mesmo, acrescentou Edgar, era apenas uma parte de todos os cérebros...
Idéia assombrosa essa, que - transferida para o campo da tecnologia - daria, mais ou menos, o
seguinte: Em Nova York, um computador monstro é alimentado com todos os dados da Física,
conhecidos até hoje. Fosse quando fosse e de onde quer que partisse a consulta, o computador daria
suas respostas em frações de segundos. Outro cérebro eletrônico está em Zurique: nele está
armazenado todo o saber da Medicina. Um computador em Moscou está repleto de todas as
indicações da Biologia, outro, no Cairo, não apresenta lacuna alguma nos conhecimentos da
Astronomia; para ser breve: em diversos centros do mundo, todo o saber universal, coordenado em
seus diversos ramos, encontra se depositado em computadores. Em ligação recíproca, sem fio, o
computador no Cairo, consultado quanto a uma informação médica, em centésimos de segundo
transmitirá as perguntas ao computador em Zurique. A tal ligação técnica simultânea, perfeitamente imaginável e já exequível, deverá ter correspondido mais ou menos a função do
cérebro de Edgar Cayce.
Registre-se aqui uma audaciosa especulação: o que seria se todos (ou mesmo apenas alguns)
cérebros humanos, altamente evoluídos, dispusessem de ignotas formas de energia e possuíssem a
capacidade de entrar em contacto com todos OS seres vivos? Assustadoramente pouco se conhece
sobre as funções e possibilidades do cérebro humano; é sabido que no cérebro do homem sadio só
um décimo do córtex trabalha. O que fazem os restantes nove décimos? Conhecido e
cientificamente documentado é o fato de que criaturas humanas se livraram de moléstias incuráveis
pela sua vontade e por nada mais. Talvez porque, por uma "ligação" desconhecida de nós, um ou
dois décimos do córtex trabalharam adicionalmente?
Se supusermos que no cérebro atuam formas intensíssimas de energia, então um forte impulso
mental poderia se fazer sentir simultaneamente e por toda parte. Se a pesquisa tornar comprovável
esta hipótese audaciosa, então, sim, todas as inteligências do universo poderiam pertencer à mesma
estrutura desconhecida.
Seja me permitido dar um exemplo. Se no interior de um tanque com bilhões de bactérias, em
qualquer ponto se induzir forte impulso elétrico, esse impulso é passível de ser sentido em todos os
pontos e por qualquer gênero de bactérias. O choque elétrico seria percebido em todas as partes no
mesmo instante. Estamos cientes de que essa comparação é imperfeita, pois a eletricidade é lima
forma conhecida de energia e condicionada à velocidade da luz. Nós, porém, estamos tratando de
uma forma de energia que está presente e ativa em todas as partes e ao mesmo tempo. Estamos
apenas adivinhando uma forma de energia ainda não identificada, que um dia tornará
compreensível o que agora não se pode compreender.
Para dar à extraordinária idéia alguma esperança de probabilidade, mencionamos a seguir uma
experiência realizada em 29 e 30 de maio de 1965. Quanto a vulto e espécie deve ser única. Naqueles
dois dias, 1.008 pessoas concentraram se ao mesmo tempo, sim, no mesmo segundo, sobre figuras,
sentenças e grupos de símbolos, que por elas foram "irradiados", por assim dizer, com energia
concentrada, para o Universo. Essa experiência em massa, por si só, já é admirável - porém mais
singulares ainda são seus resultados. Nenhuma pessoa que dela participou conhecia qualquer
outra; os participantes viviam a centenas de quilômetros de distância, uns dos outros; preenchendo
formulários impressos, 2,7 por cento dos participantes responderam que haviam visto uma
imagem, a imagem do modelo de um átomo. Como qualquer entendimento prévio ou combinação
entre as "cobaias" havia sido impossível, é realmente surpreendente que 2,7 por cento tenham visto
a mesma "imagem pensada". Telepatia? Charlatanismo? Acaso? Admitimos ser tudo um tema de
ficção científica, mas tal experiência, organizada por cientistas, efetivamente se realizou. É evidente
que ainda não sabemos tudo.
Tampouco é explicável a constatação de um grupo de físicos da Universidade de Princeton:
Durante o exame da desintegração do Meson-K, eletricamente neutro, chegou se a um resultado
teoricamente impossível, porque contradizia princípio, de há muito estabelecido, da física nuclear,
segundo o qual processos de partículas elementares são considerados como cronologicamente
reversíveis.
Mais um exemplo espetacular! Uma parte da teoria da relatividade de Einstein afirma que massa e
energia são manifestações diversas de um só e mesmo fenômeno (E=mc
2
). Dito com simplicidade,
pode se criar matéria partindo literalmente do imaterial. Faz se com que um raio de energia intensa
passe rente a um pesado núcleo atômico: desaparece o raio de energia no forte campo energético
elétrico do núcleo do átomo e em seu lugar são formados um eléctron e um posítron. Energia em
forma de um raio transformou se na massa de dois eléctrons. Para a mente sem formação científica,
o processo parece louco, mas a despeito disso, ele decorre assim mesmo. Não é vergonhoso não poder seguir a Einstem; um cientista o chamou de "o grande solitário", porque ele talvez pudesse
haver comentado sua teoria com uma dúzia apenas de seus contemporâneos.
Após essa excursão a regiões ainda inexploradas das transmissões do pensamento e das funções do
cérebro humano, voltemo-nos de novo para nosso tema.
Já não constitui segredo que em novembro de 1961, no "National Radio Astronomy Observatory",
em Green-Bank, Virgínia do Oeste, 11 autoridades científicas se reuniram em conferência secreta.
Era assunto único da conferência o problema da existência de inteligências extraterrenas. Os
cientistas - entre os quais o Dr. Giuseppe Cocconi, Dr. Su-Shu-Huang, Dr. Philip Morrison, Dr.
Frank Drake, Dr. Otto Struve, Dr. Carl Sagan, assim como o detentor do Prêmio Nobel, Melvin
Calvin - chegaram, ao fim de sua conferência, a um acordo, condensado na chamada "Equação
Green-Bank": Segundo essa fórmula, existem a qualquer tempo, em nossa galáxia apenas, 50
milhões de civilizações diversas que, ou tentam entrar em contacto conosco, ou estão à espera de um
sinal procedente de outros astros.
Os termos da "Equação Green-Bank" levam em conta todos os aspectos da questão; além disso, os
cientistas instituíram para cada termo dois valores, a saber, um valor normal admissível de acordo
com os conhecimentos atuais, e um valor mínimo absoluto.

N = R+ fp ne f1 fi fc L

Nesta equação os símbolos significam
R+ = o número médio de novas estrelas semelhantes ao nosso sol
Fp = o número de estrelas com possíveis seres vivos
ne = o número médio de planetas que circunvoluem a ecosfera de seu sol e que,
por isso, segundo escala humana, apresentam condições adequadas ao
desenvolvimento da vida
f1 = número de planetas, assim favorecidos, nos quais de fato tenha evoluído
vida
fi = número de planetas que são habitados por inteligências dotadas de ação
própria durante o tempo de vida de seu sol
fc = número de planetas habitados por inteligências que já possuam uma
civilização técnica desenvolvida
L - duração de vida de uma civilização, pois somente civilizações de longa
existência poderiam encontrar-se, dadas as vastíssimas distâncias no Universo

Se ora adotarmos para todos os termos nessa equação os valores mínimos absolutos, então

N = 40

Se, porém, se tomarem os valores máximos possíveis, então

N = 50.000.000

A fantástica "Equação Green-Bank" calcula, pois, para o caso mais desfavorável, quarenta grupos
de inteligências em nossa Via Láctea, que procuram contacto com outras inteligências. A possibilidade mais audaciosa indica cinqüenta milhões de inteligências extraterrenas, que esperam
por sinais do Cosmo. Todos os cálculos de Green-Bank se baseiam não nas cifras astronômicas do
presente mas no número de estrelas da nossa Via-Láctea desde que ela existe.
Aceitando sé a equação do "brain-trust" (corpo de peritos) de cientistas, há cem mil anos já podem
ter existido civilizações tecnicamente mais perfeitas do que a nossa - fato esse que apoia a teoria
aqui apresentada, da visita dos "deuses" do Cosmo, nos nebulosos tempos pré-históricos. O
astrobiólogo americano Dr. Sagan assegura que, só com base em cálculos estatísticos, existe a
possibilidade de nossa Terra ter sido visitada ao menos uma vez, no decurso de sua História, por
representantes de uma civilização extraterrestre. Todas as deliberações e especulações podem ter
como pano de fundo a imaginação e mil sonhos utópicos - mas a equação de Green-Bank é uma
fórmula matemática e, por isso, está fora e acima das meras fantasias.
Um novo ramo da ciência está prestes a estabelecer se, a chamada exobiologia. Ramos novos da
ciência sempre enfrentam grandes dificuldades para obter reconhecimento. À exobiologia provável
mente seria ainda mais difícil vencer, não fosse o fato de personalidades já hoje respeitadas
dedicarem seu trabalho a esse novo campo da pesquisa, que encara a vida extraterrena sem
preconceitos. A prova mais convincente da seriedade dessa nova ciência é o grupo de nomes que a
ela se associaram:
Dr. Freeman Quimby, (chefe do programa exobiológico da NASA), Dr. Ira Blei (NASA), Dr. Joshua
Lederberg (NASA), Dr. L. P. Smith (NASA), Dr. R. E. Kaj (NASA), Dr. Richard Young (NASA),
Dr. H. S. Brown (Califórnia Institute of Technology), Dr. Edward Purcell (Professor de Física na
Universidade de Harvard), Dr. R. N. Bracewells (Radio Astronomy Institute Stanford), Dr. Townes
(Prêmio Nobel de Física, 1964), Dr. I. S. Shklovsky (Instituto Sternberg, Moscou), Dr. N. S.
Kardashew (Instituto Sternberg, Moscou), Sir Bernard Loveli (Jodrell Bank), Dr. Wernher von
Braun (chefe do programa de foguetes Saturno, E.U.A.), Prof. Dr. Oberth, preceptor de von Braun,
Prof. Dr. Stuhlinger, Prof. Dr. E. Sänger e muitos outros.
Estes nomes são citados entre muitos milhares de exobiólogos existentes no mundo inteiro. O
interesse de todos esses homens é quebrar os tabus, demolir as muralhas da letargia em que até
agora viveram as áreas da pesquisa aqui especificamente indicadas. Contra muitas resistências a
exobiologia progride e algum dia poderá tornar se o mais interessante e mais importante campo de
pesquisa.
Como, porém, pode ser obtida uma prova de vida no espaço cósmico antes de se chegar até lá?
Existem estatísticas e cálculos que decididamente apoiam a existência de vida extraterrena. Existe a
prova de bactérias e espórios no espaço cósmico. A busca de inteligências desconhecidas iniciou se,
mas ainda não trouxe resultados mensuráveis, demonstráveis e convincentes. O que precisamos são
documentações de teorias - são provas de suspeitas hoje ainda desqualificadas como fantasiosas. A
NASA tem um programa de pesquisa completo, que deverá trazer comprovantes da vida no Cosmo.
Oito sondas diversas, cada uma delas tão inédita em sua espécie quão complicada, devem reunir
provas de vida em planetas do nosso sistema solar.

São estas as sondas planejadas:

Optical Rotary Dispersion Profiles
The Multivator
The Vidicon Microscope
The J-Band Life Detector The Radioisotope Biochemical Probe
The Mass Spectrometer
The Wolf-Trap
The Ultraviolet Spectrophotometer

Aqui umas poucas indicações daquilo que se oculta atrás de algumas dessas designações técnicas
que nada dizem ao leigo:

"Optical Rotary Dispersion Profiles" designa um aparelho de pesquisa que usa uma luz sondadora
rotativa. Colocada sobre um planeta, essa fonte de luz começa a emitir raios e procurar moléculas.
As moléculas, como se sabe, são condição básica para qual quer espécie de vida. Uma dessas
moléculas é a macromolécula espiralada DNS, que consiste em três compostos químicos enfileirados
- um álcali orgânico nitrogenado, açúcar, ácido fosfórico. Quando a luz polarizada incidir sobre tal
molécula, o raio sondador é refratado, porque o álcali nitrogenado "adenina", em associação
química com açúcar, tem um efeito "opticamente ativo". Uma vez que a associação de açúcar na
molécula DNS é opticamente ativa, o raio de busca da sonda só precisa incidir sobre associação
açúcar-adenina, para produzir imediatamente um sinal que, automaticamente transmitido para a
Terra, traria a prova de vida sobre um planeta desconhecido.
Nota: DNS é abreviatura de Desoxyribonuk leinsacure (ácido desoxirribonucléico). A abreviatura
usada nos Estados Unidos da América, para designar essa mesma substância orgânica, é DNA,
porque, em inglês, seu nome por extenso e deoxyribonukleic acid.
Quanto ao "Multivator", trata se de uma sonda de apenas 500 gramas de peso que, levada por um
foguete como leve carga colateral, será ejetada nas proximidades do planeta. Esse microlaboratório,
então, estará habilitado a executar até 15 experiências diversas e transmitir seus resultados à Terra.
A sonda oficialmente designada como "Radioisotope Biochemical Probe", porém desenvolvida sob
a alcunha de "Gulliver", deve executar sobre a superfície do planeta estranho uma descida suave e,
imediatamente após, atirar três cordões viscosos de 15 metros de comprimento cada um, para
direções diversas. Poucos minutos depois, esses cordões são automaticamente recolhidos de novo na
sonda; o que tiver aderido aos cordões - poeira, micróbios ou quaisquer substâncias bioquímicas - é
imerso em um líquido nutritivo. Uma parte dessa solução nutritiva é enriquecida com carboisótopo
radioativo C-14; os microrganismos introduzidos teriam, logicamente, que produzir pelo seu
metabolismo, o CO2 (dióxido de carbono). O gás dióxido carbônico é facilmente separado da
solução nutritiva e encaminhado a um instrumento aferidor, que mede a radioatividade do gás
contendo núcleos de C-14 e, finalmente, transmite os resultados à Terra.
Queremos descrever mais um instrumento que a NASA desenvolveu para a busca de vida
extraterrena: a denominada "Armadilha do Lobo". Esse microlaboratório originalmente havia
sido denominado pelo seu inventor de ''Bug Detector'' (detetor de besouros), mas seus
colaboradores o rebatizaram "Wolftrap" (armadilha do lobo), porque seu chefe se chama Prof.
Woll Vishniac. Também a armadilha do lobo deverá executar pouso suave sobre um planeta
estranho e depois estender um tubo de vácuo de ponta muito frágil. Ao tocar o chão, a ponta do
tubo quebra e, devido ao vácuo de seu interior, aspira do solo amostras de todas as espécies. Como
a anterior, esta sonda contém diversas culturas nutritivas esterilizadas, que garantem a qualquer
espécie de bactérias um crescimento rápido. Essa multiplicação das bactérias tem como
conseqüência a turvação da solução nutritiva clara; além disso altera se o pH do líquido. (O vapor
pH indica o grau de acidez de um elemento). Ambas as modificações são facilmente mensuráveis
acima de qualquer dúvida: a turvação do líquido mediante um raio luminoso e uma fotocélula; a alteração do teor de ácido por uma medição elétrica do pH. Os resultados também possibilitariam
conclusões sobre a existência de vida extraterrena.
Milhões de dólares são gastos no programa da NASA e nas pesquisas coordenadas em busca de
prova de vida extraterrena. As primeiras bio-sondas devem ser enviadas a Marte.
Indubitavelmente, o homem logo seguirá os equipamentos precursores, os microlaboratórios. Os
responsáveis pela NASA estão concordes em que os primeiros astronautas, ao mais tardar,
desembarcarão a 23 de setembro de 1986 em Marte. A indicação precisa da data tem sua razão:
1986 será um ano de reduzida atividade solar. O Dr. von Braun defende a opinião de que já em
1982 homens poderão descer sobre Marte; não falta aos homens da NASA a técnica necessária, mas
tão somente uma dotação suficiente e continuada de meios financeiros, assegurada pelo Congresso
americano. A par de todas as obrigações correntes dos E.U.A., dois devoradores de dinheiro, como
a guerra do Vietnã e o programa de cosmonáutica, constituem um encargo muito pesado no correr
do tempo, mesmo para a nação mais rica do mundo.
O plano de viagem para Marte já existe. A nave espacial para esse fim já foi desenhada: apenas
precisa ser construída. Perfeita maquete dessa nave está sobre a escrivaninha de um homem
extraordinário em Huntsville - está à frente do Prof. Ernest Stuhlinger. Stuhlinger é Diretor do
"Research Project Laboratory", que faz parte do "George Marshall Space Flight Center" em
Huntsville, Alabama. Ele ocupa mais de cem colaboradores científicos em seus laboratórios. Neles
são feitas experiências com Física plasmática, nuclear e térmica. Os cientistas, além disso, ocupam
se com pesquisas de base para projetos visando um futuro remoto. A pesquisa da propulsão elétrica
dos foguetes de amanhã está para sempre ligada ao nome do Dr. Stuhlinger. É ele o planejador da
nave espacial de Marte, que ainda em nosso século levará criaturas humanas ao planeta vermelho.
O Dr. Stuhlinger foi trazido aos Estados Unidos, logo depois da Segunda Guerra Mundial, por seu
amigo Wernher von Braun; em Fort Bliss construíram foguetes para a Força Aérea Americana.
Acompanhados por 162 conterrâneos, os dois pioneiros de foguetes, após a irrupção da guerra da
Coréia, mudaram se para Huntsville, para lá desenvolver um projeto que a própria América do
Norte, acostumada à gigantomania, ainda não havia visto.
Huntsville era então um lugarejo adormecido á encosta das Montanhas Apalaches. Com a chegada
dos homens dos foguetes, a vilazinha produtora de algodão transformou se num circo. Fábricas,
estações testadoras, laboratórios, hangares gigantescos e escritórios de chapa ondulada, dentro de
poucos anos brotaram do chão com rapidez espantosa. Hoje vivem em Huntsville mais de 150.000
pessoas; a cidadezinha despertou de seu sono, e seus habitantes tornaram se adeptos fanáticos da
exploração do espaço cósmico. Quando da estação de testes partiu, trovejando, o primeiro foguete
Redstone, muitos huntsvilianos ainda correram assustados para os porões de suas casas. Hoje,
quando é testado um foguete Saturno e um atroador ruído enche a atmosfera como se naquele
instante o mundo fosse soçobrar, quase mais ninguém liga. Os huntsvilianos - a exemplo do que
fazem os cavalheiros da City em Londres com seus guarda chuvas - carregam sempre consigo seus
protetores auriculares. Chamam sua cidade simplesmente de "Rocket City" (cidade dos foguetes), e
quando o Congresso não quer conceder os exigidos bilhões para a astronáutica, tornam se
enfezados e ativos. Os huntsvilianos têm toda a razão para se orgulhar de seus "Germans"
(alemães) e da NASA, porque Huntsville desenvolveu se a ponto de se tornar o maior centro da
NASA. Ali, os foguetes causadores de manchetes em todo o mundo foram idealizados e construídos,
desde o pequeno Redstone até o gigantesco Saturno V. Até agora, os Estados Unidos aplicaram
aproximadamente 106 bilhões de cruzeiros no programa Lua. 15 foguetes Saturno V foram orçados
em 576.000.000 de cruzeiros. Quando de sua partida, os tanques são lotados com 4 milhões de litros
de combustível altamente explosivo, que desenvolve uma energia propulsora de 150.000.000 HP. O
foguete gigante pesa quase 3.000 toneladas. Em Huntsville trabalham, sob as ordens de Wernher
von Braun, cerca de 7.000 técnicos, engenheiros e especialistas em vários ramos científicos
correlacionados, para atingir o grande alvo, que é a conquista do espaço cósmico. Do programa
cosmonáutico total dos E.U.A., em 1967, participaram ativamente 300.000 cientistas, técnicos e colaboradores de todas as especialidades. Mais de 20.000 firmas industriais trabalham para o
maior empreendimento de pesquisa da História.
O cientista austríaco Dr. Pscherra me disse, numa visita a Huntsville, que o grupo pesquisador
precisava constantemente desenvolver "artigos" novos, que até o presente não eram produzidos em
parte alguma do mundo.
"Veja aqui!", disse ele, e me mostrou um grande cilindro dentro do qual se ouvia certo zumbido.
"Aí fazemos experiências de lubrificação em alto vácuo. Sabe que não podemos aproveitar um só
dos inúmeros lubrificantes fabricados no mundo? No espaço cósmico perdem completamente sua
qualidade lubrificadora. Com os lubrificantes existentes, mesmo um simples motor elétrico deixa de
funcionar, ao mais tardar dentro de meia hora, quando no vácuo. O que nos resta senão inventar
uma substância lubrificadora que também no vácuo ainda lubrifique eficientemente?"
De outro recinto vinha um gemido e choro horroroso. Duas morsas supradimensionais, firmemente
ancoradas no chão, tentavam arrebentar uma chapa metálica de dez centímetros de espessura.
"Também esta é uma série experimental que gostaríamos de evitar", disse o Dr. Pscherra. "Mas
nossas experiências nos mostraram que as ligas metálicas existentes não resistem ás exigências do
espaço cósmico. Portanto, temos de encontrar outras, que correspondam às nossas necessidades.
Por isso, fazemos estes testes de ruptura e experiências de envelhecimento, sob todas as situações
espaciais imagináveis. Também temos de desenvolver novos processos de soldagem. As costuras da
solda devem ser submetidas a testes de frio, calor, agitação, tração e pressão, a fim de descobrirmos
o ponto crítico em que a costura rebenta."
A acompanhante que me estava guiando olhava freqüentemente para seu relógio. O Dr. Pscherra
também olhava seu relógio. Todos olhavam para seus relógios, a cada instante. Os homens da
NASA, evidentemente, já nem o percebem; o visitante o registra, primeiro curioso, mas depois logo
se acostuma, pois olhar para o relógio a cada momento é hábito típico dos homens da NASA, em
Cabo Kennedy, em Houston, em Huntsville. Constantemente parecem estar contando juntos ...
quatro ... três ... dois ... um ... zero!
Deslocando-me em veículos, ou a pé, através de salões, corredores e portas, cheguei, depois de
muitos controles de segurança, a um Mr. Pauli, igualmente originário da Europa. de fala
germânica, que há treze anos trabalha para a NASA. Enfiaram me na cabeça um capacete branco
com o distintivo da NASA; Mr. Pauli conduziu me à estação de testes do Saturno V. Com o modesto
nome de "estação de testes", designa se um colosso de cimento armado, que pesa diversas centenas
de toneladas e tem vários andares de altura, a cujo cimo sobem elevadores e guindastes. É
circundado por diversas rampas em que é embutida uma vastíssima rede de vários quilômetros de
cabos. Dada a ignição, o Saturno V faz um barulho que é audível até uma distância de 20
quilômetros do local da decolagem. A estação de testes, profundamente embasada em rocha e
cimento armado, eleva se em tais experiências até oito centímetros acima de seus fundamentos,
enquanto 11/2 milhões de litros de água por segundo são bombeados para fins de resfriamento
através de uma comporta. Só para resfriamento durante experiências na estação de testes, a NASA
precisou construir uma usina de recalque que, sem dificuldades, poderia prover de água potável
uma metrópole como Düsseldorf. Uma única experiência de lançamento custa uns 5.300.000
cruzeiros! Não se pode conquistar o espaço a baixo preço...
Huntsville é um entre dezoito centros NASA. O leitor deveria anotar seus nomes porque mais tarde
talvez se tornem estações de Partida para vôos cósmicos:
Army Research Center, Moffert Field, Califórnia
Electronics Research Center, Cambridge, Massachusetts Flight Research Center, Edwards, Califórnia
Goddard Space Flight Center, Greenbelt, Maryland
Propulsion Laboratory, Pasadena, Califórnia
John F. Kennedy Space Center, Flórida
Langley Research Center, Hampton, Virgínia
Lewis Research Center, Cleveland, Obio
Manned Spacecraft Center, Houstou, Texas
Nuclear Rocket Development Station, Jackass Flats
Pacific Launch Operations Office, Lompoc, Califórnia
Wallops Station, Waliops Island, Virgínia
Western Operations Office, Santa Mônica, Califórnia
NASA Headquarters, Washington, DC
A indústria de naves espaciais há muito que superou a indústria automobilística, determinadora da
conjuntura comercial. Na estação espacial de Cabo Kennedy estavam ativas, a 1º de julho de 1967,
22.828 pessoas; o orçamento anual - só desta estação! - montou, em 1967, a 475.784.000 dólares!
Tudo isso porque alguns loucos queriam ir até a Lua? Demos - ao que nos parece - exemplos
sobejamente convincentes daquilo que já estamos devendo hoje á pesquisa da cosmonáutica - ainda
apenas como subprodutos - a começar por utensílios de uso diário até complexos instrumentos
médicos, que, dia por dia e hora por hora, em todo o mundo, estão salvando a vida de inúmeras
pessoas. A supertécnica que se encontra em evolução realmente não é um flagelo para a
humanidade. Leva a com botas de sete léguas para o futuro, que se inicia de novo, dia por dia.

O autor teve a possibilidade de pedir a Wernher von Braun uma tomada de posição quanto às
hipóteses aqui apresentadas:

Dr. Von Braun, julga o senhor possível que venhamos a encontrar vida noutros planetas
de nosso sistema solar?
"Julgo possível encontrarmos no planeta Marte formas vitais inferiores."
Julga o sr. possível não sermos nós as únicas inteligências no Universo?
"Julgo perfeitamente provável que não só vida vegetal e animal, mas também seres
inteligentes existam nos espaços imensos do universo. A descoberta de tal vida é
missão altamente fascinante e interessante, porém, à vista das enormes distâncias
entre o nosso próprio e outros sistemas solares e das distâncias ainda maiores entre
nossa galáxia e outros sistemas galácticos, é problemático se conseguiremos detectar
tais formas de vida ou com elas entrar em contacto direto."
Será concebível que em nossa galáxia vivam ou tenham vivido inteligências mais
antigas, tecnicamente mais avançadas? "Até agora não temos provas ou indícios de que seres vivos mais antigos e
tecnicamente mais avançados do que nós vivam ou tenham vivido em nossa galáxia.
Com base em considerações estatísticas e meditações filosóficas, porém, estou
convencido da existência de tais seres vivos avançados. Devo, no entanto, acentuar
que não dispomos de qualquer base científica sólida para esta convicção."
Existe a possibilidade de que uma inteligência mais antiga tenha feito uma visita á
Terra, na distante Antigüidade?
"Não quero refutar essa possibilidade. Na extensão, porém, em que eu tenha
conhecimento, estudo arqueológico algum forneceu, até agora, qualquer base para
tais especulações."

Aqui terminou o diálogo com o muito atarefado "Pai dos Saturnos". Lamentavelmente, o autor não
pôde apresentar lhe detalhadamente a abundância das singulares descobertas e das estranhas
informações que livros antigos nos legaram como enigmas não solucionados, nem discutir com ele
os muitos problemas que decorrem de certos achados arqueológicos, desde que contemplados sob o
ponto de vista atual da cosmonáutica.


Quinta feira postarei a última parte do livro "Eram os Deuses Astronautas?", aguardem :)

26 de nov. de 2009

"Eram os Deuses Astronautas?" - Parte 12

CAPÍTULO X
 
 
A experiência espacial terrestre
 
 
Tem sentido a cosmonáutica? A quem aproveitam os bilhões investidos?
Guerra ou cosmonáutica?
O que há com os muitos caluniados discos voadores?
Já há 60 anos houve uma explosão nuclear
Será a lua de Marte um satélite artificial?
 
 
AINDA NÃO SE CALOU a discussão sobre se a cosmonáutica faz ou não sentido. Quer-se provar
muita ou total destituição de sentido na pesquisa do espaço sideral, com a constatação banal de que
não se deve investir pelo Cosmo afora enquanto na Terra ainda houver tantos problemas sem
solução.
Esforçando-nos por evitar argumentação científica incompreensível ao leigo, indicaremos aqui
apenas algumas das razões mais óbvias e válidas a favor da necessidade absoluta da pesquisa
cósmica.
Desde tempos imemoriais a curiosidade e a sede do saber sempre constituíram forças capazes de
estimular o homem a viver em permanente pesquisa. As duas perguntas: POR QUE ocorre algo e
COMO ocorre? em todos os tempos foram propulsoras da evolução e do progresso. Á inquietação
permanente por elas criadas devemos nosso padrão de vida atual. Os confortáveis meios modernos
de transporte livraram nos das dificuldades e dos sacrifícios de viagens a que nossos avós ainda
estavam sujeitos; o peso do trabalho físico foi sensivelmente aliviado por máquinas. Novas fontes de
energia, preparados químicos, refrigeradores, múltiplas máquinas domésticas, etc., etc., acabaram
por libertar nos completamente de atividades outrora só realizáveis pelas mãos humanas. O que a
ciência criou não resultou em maldição, muito pelo contrário, em bênção para a humanidade. Até
sua filha mais aterradora, a bomba atômica, reverterá em benefício da humanidade.
Hoje, a ciência atinge muitos dos seus alvos com botas de sete léguas. Para o desenvolvimento da
fotografia até que se obtivessem imagens absolutamente nítidas, foram precisos 112 anos. O
telefone já em 56 anos estava inteiramente aperfeiçoado e automatizado. No desenvolvimento do
rádio, até a recepção perfeita das emissões nem 85 anos de pesquisa científica foram necessários.
Para o aperfeiçoamento do radar, porém, bastaram 15 anos! As etapas das invenções e seus
aperfeiçoamentos tornam se cada vez mais breves: a televisão em preto e branco, após 12 anos de
pesquisa, foi apresentável e a construção da primeira bomba atômica demandou 6 anos completos!
Estes são uns poucos exemplos de progresso técnico no último meio século - progresso magnífico, mas também um tanto assustador. O desenvolvimento atingirá novos alvos de maneira cada vez
mais rápida. Os próximos 100 anos realizarão uma parte de leão dos sonhos eternos da
humanidade.
Contra advertências e resistências, o espírito humano trilhou sua senda. Contra velhíssimas
afirmações dogmáticas - como: a água é o espaço vital do peixe, o ar o elemento dos pássaros - o
homem conquistou os espaços que, aparentemente, não lhe eram destinados. O homem voa - contra
todas as chamadas leis da natureza, e, em submarinos atômicos, ele vive meses a fio debaixo d'água.
Com sua inteligência criou para si asas e guelras, que o Criador não lhe dera.
Quando Charles Lindbergh decolou para seu vôo lendário, seu alvo foi Paris; não que lhe
importasse chegar a Paris; ele queria provar que o homem, sozinho e sem sofrer dano, podia
atravessar Atlântico em vôo. O primeiro alvo da cosmonáutica é a Lua. O que essa nova idéia
técnico científica, porém, quer provar é que homem pode dominar também o espaço cósmico!

Por que, pois, astronáutica?

Dentro de poucos centenários apenas, o nosso globo estará superpopuloso, irremediavelmente e sem
esperança. já para o ano 2050, as estatísticas contam com um número demográfico de 8,7 bilhões!
Mais 200 anos, e já serão 50 bilhões; conseqüentemente, pois, 335 seres humanos deverão viver
sobre um quilômetro quadrado. Inimaginável! Certas teorias, semelhantes a pílulas sedativas, que
falam em alimentação extraída do mar ou até em habitações no fundo do oceano, mais cedo do que
gostariam os mais audaciosos otimistas provarão ser ilusória a mobilização de meios inoperantes
contra os efeitos da explosão demográfica. Na ilha indonésia Lombok, morreram de fome, nos
primeiros seis meses de 1966, mais de dez mil pessoas que, em seu desespero, haviam tentado
sobreviver alimentando se de moluscos e vegetais. U-Thant, Secretário Geral da ONU, estima o
número de crianças ameaçadas pela fome na India em 20 milhões, estimativa que apóia a afirmação
do Prof. Mohler, em Zurique, de que a fome começa a exercer domínio universal.
Está comprovado que a produção dos meios de alimentação no mundo não acompanha o passo do
crescimento da população, apesar dos mais modernos recursos técnicos e a despeito de importantes
fertilizantes químicos. A época atual deve à Química os preparados para controle da natalidade.
Mas, para que servem, se as mulheres não os usam nos países subdesenvolvidos? Pois somente se se
lograsse baixar nos próximos dez anos, isto é, até 1980, o surto de natalidade até à metade, a
produção de meios alimentícios poderia ocorrer paralelamente ao aumento da população.
Infelizmente, não podemos acreditar nesse caminho racional, porque é difícil demolir a muralha
dos preconceitos, dos motivos supostamente éticos e das leis religiosas, enquanto aumenta a
desgraça da superpopulação. Será mais humano, ou prescrito por Deus, que ano por ano morram
de fome milhões de seres humanos, do que impedir essas pobres criaturas de nascer?
Mas, ainda que o controle da natalidade em algum dia remoto, sob compulsão do destino, se torne
vencedor, ainda que os campos de cultura sejam ampliados, e sejam multiplicados os rendimentos
mediante assistência hoje ainda ignorada; ainda que a pesca se multiplique e campos de algas no
fundo do mar aumentem a alimentação, mesmo que tudo isso e mais ainda se concretize, tudo é um
retardamento apenas, um adiantamento de talvez 100 anos. O homem precisa de novo espaço vital.
Estamos convencidos de que os homens em algum dia remoto colonizarão Marte e vencerão suas
condições climáticas da mesma maneira que o fariam os esquimós se fossem transportados para o
Egito. Planetas, alcançados por gigantescas naves cósmicas, serão povoados pelos nossos netos;
colonizarão novos mundos como em passado bem recente ocorreu na América e Austrália. Por isso
devemos nos dedicar à pesquisa do espaço cósmico! Devemos legar aos nossos netos uma
oportunidade de sobrevivência! Cada geração que não cumprir essa tarefa, apressará a entrega da
humanidade inteira à morte pela fome. Não mais se trata de pesquisa abstrata, que só interessa ao cientista. E a quem não se sentir tomado
pela obrigação para com a posteridade, seja dito que os resultados da pesquisa cósmica já nos
resguardaram da terceira guerra mundial! Não foi a ameaça do aniquilamento total que retirou às
grandes potências a possibilidade de decidirem opiniões, exigências e conflitos, mediante uma nova
guerra? Não mais é preciso que um russo pise solo americano para transformar o país em deserto, e
nenhum americano precisa mais perecer na Rússia, uma vez que após o impacto de muitas bombas
atômicas a Terra, de qualquer maneira, se tornaria inabitável e estéril devido à radioatividade.
Pode parecer absurdo, mas só o foguete intercontinental assegurou nos uma paz relativa.
De vez em quando até se exterioriza a opinião de que os bilhões investidos na pesquisa cósmica
teriam melhor destinação se fossem aplicados na assistência ao desenvolvimento. Essa opinião é
errada; pois as nações industriais prestam assistência ao desenvolvimento, não só por motivos
caritativos ou políticos; oferecem na, compreensivelmente, também para abrir mercados às suas
indústrias. O auxílio que os Estados subdesenvolvidos exigem, é - visto a longo prazo - irrelevante.
No ano de 1966, viviam na Índia, estimativamente, um bilhão e seiscentos milhões de ratos, cada um
dos quais devora cerca de cinco quilogramas de mantimentos por ano. O Estado, porém, não pode
ousar destruir essa peste: o hindu devoto protege os ratos. Na mesma Índia circulam 80 milhões de
vacas, que não devem ser ordenhadas nem ser atreladas como animais de tração, e muito menos
abatidas para servir de alimento: são animais sagrados. Em país cujo desenvolvimento é inibido
por tantos tabus e tantas leis religiosas, várias gerações ainda terão de abolir costumes, ritos e
superstições prejudiciais à vida, antes que se inicie verdadeiro progresso. Também aqui, os meios
de comunicação da idade da cosmonáutica servem à informação e ao desenvolvimento: jornais,
rádio, televisão. O mundo encolheu. Já se sabe e mais se fica sabendo, uns dos outros. Mas, para
chegar à definitiva compreensão de que fronteiras nacionais são relíquias de uma época superada,
carecemos da cosmonáutica. A técnica por ela incrementada difundirá a compressão de que a
pequenez de povos e continentes na imensidão do Universo só pode ser estímulo e impulso para o
trabalho em comum na pesquisa do espaço cósmico. Em todas as épocas, a humanidade sempre
precisou de um lema inspirador que, ultrapassando os problemas do cotidiano, fizesse com que o
aparente mente inatingível fosse alcançado.
Um fator realmente considerável que, na era da tecnologia, fornece um argumento de peso à
pesquisa do espaço cósmico, é a formação de novos ramos no campo da indústria, onde centenas de
milhares de criaturas humanas que, pela racionalização do trabalho, perderam seus empregos,
encontram seu meio de subsistência. A "indústria do espaço cósmico", nos Estados Unidos, já
superou a importância decisiva da indústria automobilística e da do aço, como árbitros de mercado.
Mais de 4.000 artigos novos devem sua existência à pesquisa cósmica; são, virtualmente, produtos
residuais da pesquisa para um escopo superior. Esses subprodutos, sem que o consumidor se
preocupe com a respectiva origem, ingressaram como que naturalmente na vida cotidiana.
Computadores eletrônicos, mini transmissores e mini receptores, transistores para aparelhos de
rádio e televisores foram inventados na periferia da linha de pesquisas, do mesmo modo que as
frigideiras em que os alimentos não mais queimam ou grudam ainda que não se use gordura.
Instrumentos de precisão em todos os aviões, instalações de controle terrestre integralmente
automatizadas, e pilotos automáticos, assim como, principalmente, os computadores rapidamente
desenvolvidos, são partes da pesquisa espacial combatida por tanta gente, partes de um programa
de desenvolvimento que exerce influência até na vida particular de cada indivíduo. Coisas de cuja
existência o leigo nem suspeita são inúmeras: novos processos de solda e lubrificação em alto vácuo,
células fotelétricas e novas fontes minúsculas de energia, que atuam a distâncias incomensuráveis.
Da torrente de dinheiro proveniente de impostos, que alimenta a pesquisa do espaço cósmico,
refluem, em caudais, para o bolso do contribuinte, as rendas dos grandes investimentos. Nações
que, de forma alguma, participarem da pesquisa do espaço cósmico serão esmagadas pela avassalante revolução técnica. Nomes e conceitos tais como Telstar, Echo, Relax, Trios, Mariner,
Ranger, Syncom, são marcos na estrada da pesquisa que não pode ser contida.
Como as reservas de energia da Terra não são inesgotáveis, o programa de navegação cósmica
algum dia também assumirá importância vital porque teremos de buscar material nuclear de
Marte ou de Vênus ou de outro planeta, para poder iluminar nossas cidades e aquecer nossas casas.
Como as usinas atômicas já hoje fornecem a mais barata de todas as energias, a produção
industrial em massa dependerá especialmente dessas usinas, quando a Terra não mais fornecer
material nuclear. Novos resultados de pesquisa chovem diariamente sobre nós. A tranqüila
transmissão do saber adquirido, de pai para filho, está irremediavelmente superada. Para
consertar qualquer transmissor de rádio que funcione mediante simples aperto de botão, um
especialista deve conhecer a técnica dos transistores e os complicados esquemas que, ás vezes se
encontram impressos em lâminas de plástico. Não demorará muito e ele terá de ocupar se também
com os novos e minúsculos componentes da micro eletrônica. O que hoje se ensina ao aprendiz,
deverá ser continuamente atualizado ao longo de sua carreira profissional. E, se ao tempo dos
nossos avós, o mestre possuía saber suficiente para a vida inteira, o mestre do presente ou do futuro
constantemente é e será obrigado a acrescentar novos conhecimentos aos antigos. O que valia
ontem, amanhã estará superado.
Se bem que só daqui a milhões de anos nosso Sol se apagará e morrerá um dia, há necessidade de
invocar o momento terrível em que um estadista perca o controle dos nervos e ponha em
funcionamento um aparelhamento atômico aniquilador, capaz de causar tremenda catástrofe. Um
fenômeno cósmico qualquer, não definível e não previsível, pode induzir a destruição da Terra.
Nunca, porém, o homem conformou se com a idéia de tal possibilidade e, talvez por isso,
devotamente procurou em uma das muitas religiões a esperança de uma continuação da vida do
espírito e da alma.
Em conseqüência, admitimos como certo que a pesquisa do espaço cósmico não seja produto de sua
livre decisão, mas que ele obedeça a uma forte compulsão íntima, ao investigar as perspectivas de
seu futuro no Universo. Como nós proclamamos a hipótese de que nas trevas da Antigüidade
havíamos recebido visita do Cosmo, também admitimos que não representamos a única inteligência
no Universo, antes suspeitamos que existem no Cosmo inteligências mais antigas, mais evoluídas. Se
agora ainda afirmamos que todas as inteligências devem dedicar se, por sua espontânea vontade, à
pesquisa cósmica, transportamo-nos, por um momento, de fato, ao reino da utopia, sabendo que
estamos mexendo em ninho de marimbondos!
Há bem vinte anos, os chamados "discos voadores" têm dado que falar. Na literatura especializada
são designados como UFOs, denominação que se originou da expressão americana "unidentified
flyng objects" (objetos voadores não identificados). Antes, porém, de entrar no excitante assunto
dos misteriosos UFOs, devo mencionar um argumento importante que se usa quando está em
debate a justificação das incursões espaciais.
Diz se que a pesquisa no campo da astronáutica não é financeiramente rendosa; que nenhum pais,
por mais rico que seja, pode mobilizar os imensos recursos necessários, sem perigo de bancarrota
nacional. A pesquisa em si, aliás, nunca deu rendimento; somente o produto da pesquisa é que
compensa os investimentos. Da pesquisa sobre astronáutica não é razoável esperar, já na fase atual,
rendimento e amortização. Não existe balanço sobre os rendimentos resultantes dos 4.000
"subprodutos" de pesquisa do espaço cósmico. Para nós, está fora de dúvida que ela dará
rendimento como raras vezes deu algum produto de pesquisa. Quando ela tiver alcançado seu
escopo, não só teremos rentabilidade; no sentido literal das palavras, ela trará para a humanidade
a salvação do aniquilamento. Seja me lícito mencionar que toda uma série de satélites COMSAT já
é economicamente interessante.

Em novembro de 1967, reportou a "STERN" (revista alemão):

"A maioria das máquinas médicas que salvam vidas provém da América. São o resultado de um
aproveitamento sistemático dos êxitos da pesquisa do átomo, da cosmonáutica e da técnica militar.
Constituem o produto de um novo tipo de colaboração entre gigantes industriais e hospitais na
América, que está levando a Medicina, quase que diariamente, a novos triunfos.
Assim, a Lockheed, produtora dos aviões Starfighter, e a famosa Clínica Mayo se associaram para
desenvolver um novo sistema de enfermagem, com base na técnica dos computadores. Os
projetistas da Companhia Nortb American Aviation, orientados por idéias médicas, estão tentando
desenvolver um "cinto de enfisema", que deverá facilitar a respiração a pacientes com
perturbações pulmonares. As autoridades espaciais da NASA sugeriram a idéia de se construir um
instrumento para diagnóstico. O aparelho, originalmente idealizado para medir a incidência de
microaerôlitos sobre naves cósmicas, registra até os mais discretos espasmos musculares em
determinadas moléstias nervosas.
Outro produto residual, salvador de vidas, proporcionado pela técnica americana de
computadores, foi o regulador do ritmo cardíaco. Mais de 2.000 alemães já hoje vivem com tal
instrumento dentro do tórax. É um microgerador, instalado sob a pele. Partindo dele, os médicos
introduzem um fio metálico de ligação através da veia cava até a aurícula direita. Mediante
choques elétricos regulares, o coração é estimulado a manter uma pulsação rítmica. Ele bate.
Quando o acumulador do regulador de batimentos cardíacos estiver esgotado, uns três anos após,
pode ser trocado através de uma operação relativamente simples. No ano passado, a General
Electric aperfeiçoou essa pequena maravilha da técnica médica desenvolvendo um modelo de duas
marchas. Se o portador daquele regulador deseja jogar tênis ou alcançar um trem, correndo, só é
preciso que passe brevemente uma varetinha magnética sobre o local em que se encontra embutido
o seu gerador. Imediatamente, o coração passa a trabalhar em ritmo acelerado."

Até aí, a reportagem da STERN. São dois exemplos de resultados laterais da pesquisa do espaço
cósmico. Quem tem coragem de dizer ainda que ela é inútil?

Sob o titulo "Estímulo pelo Foguete Lunar", o "ZEIT", em sua edição n.º 47, de novembro de 1967,
relata:

"As construções das naves cósmicas desenvolvidas para pousos suaves na Lua, também estão
despertando o interesse simultâneo de construtores de automóveis, pois os conhecimentos sobre o
comportamento de tais construções, sob condições que induzem sua destruição, podem ser
consideravelmente ampliados. Se bem que não seja possível tornar os automóveis absolutamente
seguros para os passageiros, em todas as modalidades de colisões e choques, as técnicas de
construção, usadas com o melhor dos sucessos na cosmonáutica, podem contribuir para reduzir os
riscos em tais desastres. Elevada rigidez aliada a peso reduzido é garantida por meio da construção
em colmeia, cada vez mais aplicada nos aviões modernos. Entrementes, também se testa o sistema,
praticamente, na construção de automóveis. O piso de um veículo experimental da Rover, movido
por turbina a gás, foi fabricado com essa técnica de colmeia".

A enunciados como "Nunca será possível viajar de estrela a estrela", aquele que conhece a fase
atual e o desenvolvimento impetuoso da pesquisa, nem mais liga importância. A geração jovem da
nossa época ainda verá essas "impossibilidades" tornarem se realidade! Construir-se-ão naves
espaciais com motores de propulsão inimaginavelmente poderosos. Em 1967, os russos já lograram
efetuar o acoplamento, na estratosfera, de dois veículos cósmicos não tripulados. Uma parte da
pesquisa já trabalha em uma espécie de viseira de proteção - semelhante a um arco elétrico -
articulada á frente da cápsula propriamente dita, e que se destina a impedir ou desviar a incidência
de partículas. Um grupo de físicos eminentes deseja provar a existência dos assim chamados
"taquions". Trata se, por enquanto, de partículas ainda hipotéticas que voariam com velocidade
superior à da luz e cujo limite inferior de velocidade seria o da luz. Sabe se que os taquions devem
existir; falta "apenas" trazer a lume a prova física de sua existência. Entretanto, tais provas já foram fornecidas para a existência do neutrino e da antimatéria. Finalmente, aos mais teimosos
críticos no grupo dos adversários da cosmonáutica dever se ia perguntar: acreditam os senhores,
realmente, que alguns milhares de homens, talvez os mais inteligentes da nossa época, dedicariam
seu trabalho apaixonado a uma pura utopia ou um alvo irrelevante?
Ocupemo-nos, pois, corajosamente, dos UFOs, ainda que correndo o risco de não ser levados a
sério. Se não formos levados a sério, ficaremos incluídos - e esse é um bom consolo no círculo de
gente altamente respeitável e famosa.
UFOs foram avistados na América, bem como sobre as Filipinas, sobre a Alemanha Ocidental,
assim como sobre o México. Concedamos que 98 por cento das pessoas que pensavam ter visto
UFOs tenham, na realidade, percebido raios de trajetória de projetis, balões meteorológicos,
singulares formações de nuvens, novos tipos ignorados de aviões ou também curiosos jogos de luzes
e sombras no céu crepuscular. Indubitavelmente, também grande multidão de pessoas foi assaltada
por uma histeria das massas: afirmavam ter visto o que não existia. E, naturalmente, também havia
aqueles presunçosos, com vontade de extorquir dinheiro de uma suposta observação, e que, na
época das vacas magras, desejavam fornecer manchetes á imprensa. Deduzindo se todos os
sonhadores, mentirosos, histéricos e sensacionalistas, resta, ainda assim, um grupo considerável de
observadores sóbrios e até tecnicamente familiarizados com o assunto. Pode uma simples dona de
casa enganar se, bem como um fazendeiro rude do sertão. Se, porém, por exemplo, uma observação
de UFOs é relatada por um experimentado comandante aviador, é difícil recusá-la como asneira.
Pois um comandante-aviador é familiarizado com miragens, com descargas esféricas do raio, com
balões meteorológicos, etc.; é examinado, a intervalos regulares, quanto à capacidade de reação de
todos seus sentidos, portanto também da condição excelente de seus olhos; não pode tomar álcool
algumas horas antes e durante o vôo; um veterano comandante de aviões não tem interesse em
contar lorotas, porque assim seria fácil demais perder seu emprego, que é bom e bem pago. Se, no
entanto, não só um comandante, mas todo um grupo de pilotos de aviões (entre os quais militares),
relatar o mesmo fato, então, parece que é preciso escutar.Nós também não sabemos o que são
UFOs; não afirmamos que se trate comprovadamente de objetos voadores de inteligências
alienígenas, se bem que pouca coisa se pudesse objetar a essa suspeita. Infelizmente, o autor, em
suas extensas viagens ao redor do globo, nunca pôde observar um UFO pessoalmente. Podemos,
entretanto, reproduzir aqui alguns relatos dignos de crédito e de confiança:
A 5 de fevereiro de 1965, o Ministério Norte Americano da Defesa tornou público estar a divisão
especializada em UFOs encarregada de examinar relatórios de dois operadores de radar. Os dois
homens haviam detectado, a 29 de janeiro de 1965, sobre sua tela de radar no Campo de Aviação
da Marinha, em Maryland, dois objetos voadores desconhecidos, que se aproximavam do campo,
vindos do sul, com a velocidade enorme de 7.680 quilômetros horários. 50 quilômetros acima do
campo de aviação, os objetos descreveram uma curva fechada e desapareceram rapidamente do
alcance do radar.
A 3 de maio de 1964, várias pessoas, entre as quais três meteorologistas, em Canberra (Austrália),
observaram um grande objeto voador intensamente radiante, que passava em trajetória nordeste
sobre o céu matutino. Interpeladas por delegados da NASA, as testemunhas oculares contavam
como "a coisa" havia singularmente vacilado e como um objeto menor se havia atirado ao encontro
do grande. O objeto pequeno ter se ia tornado vermelho incandescente e depois apagado, ao passo
que a coisa grande teria prosseguido diretamente em direção nordeste até desaparecer de vista. Um
dos meteorologistas confessou, resignadamente: "Sempre ridicularizei essas informações sobre
discos voadores. O que deverei dizer agora, depois de ter eu mesmo visto tal coisa?"
A 23 de novembro de 1953 detectou se na tela de radar da Base Aérea de Kinross, em Michigan, um
objeto voador desconhecido. O Tenente-aviador R. Wilson, que se encontrava em vôo de exercício
em um avião a jato F-86, recebeu permissão para perseguir a coisa". A equipe do radar observou
como Wilson caçou o objeto desconhecido por 160 milhas. De repente, na tela de radar, os dois corpos voadores fundiram se num só. Chamadas de rádio ao Tenente Wilson ficaram sem resposta.
O espaço, que se tornou palco do fenômeno inexplicável, foi "penteado" nos dias seguintes por
tropas de reconhecimento, a fim de se descobrirem destroços; o Lago Superior, situado nas
proximidades, examinado quanto a vestígios de óleo. Nada foi encontrado. Nenhum vestígio do
Tenente Wilson e de seu aparelho!
A 13 de setembro de 1965, o sargento da polícia, Eugene Bertrand, encontrou numa estrada
perimetral da cidade de Exeter (New Hampshire, E.U.A.), pouco antes de uma hora da madrugada,
uma senhora sentada ao volante de seu carro, que se mostrava grandemente perturbada. Recusou
se a continuar a viagem e afirmou que um enorme e brilhante corpo voador de cor vermelha a teria
perseguido por mais de dez milhas, até o desvio 101, tendo, então, desaparecido.
O policial, homem maduro e sensato, julgou que a senhora não estivesse regulando muito, quando
ouviu pelo rádio de seu carro a mesma comunicação de outra patrulha. Do quartel-general, seu
colega Gene Toland lhe ordenou que voltasse imediatamente à Central. Lá, um moço contou-lhe a
mesma estória que a senhora lhe havia relatado, acrescentando que se refugiara numa sarjeta, ante
uma coisa de incandescência vermelha.
Só a contragosto os homens empreenderam uma excursão de reconhecimento, firmemente
convencidos de que toda aquela bobagem acharia uma explicação razoável. Após duas horas de
busca infrutífera pelos arredores, puseram-se a caminho de volta. Passaram num pasto, onde havia
seis cavalos que, de repente, debandaram em disparada louca. Quase que simultaneamente, a
paisagem foi banhada de luz verme]ha incandescente. "Lá! Olhe lá!" exclamou um jovem policial.
Sobre as árvores, de fato, flutuava um brilhante objeto vermelho, que se movia lenta e silenciosa
mente ao encontro dos observadores. Através do telefone, Bertrand comunicou, excitado, ao seu
colega Toland que justamente nesse momento ele estava vendo com seus próprios olhos aquela coisa
danada. Agora, também o sítio à beira da estrada e as colinas adjacentes estavam banhados de luz
vermelha intensamente radiante. Um segundo carro policial, com o Sargento Dave Hunt, brecou
guinchando ao lado dos homens.
"Com os diabos!" gaguejou Dave. "Ouvi você e Toland gritando pelo rádio. Pensei que tivessem
enlouquecido... Mas olhe para aquilo!..."
Durante a investigação da ocorrência misteriosa, a que se procedeu mais tarde, compareceram 58
testemunhas oculares qualificadas. Entre elas havia meteorologistas e membros da guarda costeira,
homens, portanto, que, como frios observadores, não podem ser tidos como incapazes de distinguir
um balão meteoro lógico de um helicóptero, ou um satélite cadente das luzes de posição de um
avião. O relatório conteve indicações objetivas, sem dar uma explicação para o objeto voador
desconhecido.
A 5 de maio de 1967, o Prefeito Municipal de Marliens, Costa do Ouro, Monsieur Malliotte,
descobriu, em um campo de trevo situado à distância de 623 metros da rua, um buraco esquisito:
achou vestígios de um círculo de 5 metros de diâmetro e 30 centímetros de profundidade; partindo
desse círculo, sulcos de 10 centímetros de profundidade dirigiam-se para todos os sentidos; dava a
impressão de que uma pesada grade de metal se tivesse imprimido no solo. À extremidade dos
sulcos encontraram se orifícios de 35 centímetros de profundidade, talvez impressos no solo por
"pés" na extremidade da rede metálica. De singularidade especial era a ima poeira lilás
esbranquiçada, depositada nos sulcos e buracos.
Nós mesmos examinamos esse local perto de Marliens: fantasmas não podem ter deixado esses
vestígios!
O que se deve pensar desses relatos? É entristecedor o que muitas pessoas - e, às vezes, até
sociedades secretas inteiras - fazem de suas pretensas observações. Obscurecem apenas a visão da realidade. E inibem cientistas sérios de se ocuparem com fenômenos comprovados, por temerem
expor se ao perigo do ridículo.
Em uma irradiação da Segunda Televisão Alemã, a 6 de novembro de 1967, sobre o tema "Invasão
originada do Cosmo?", um capitão aviador da Lufthansa relatou um fenômeno do qual ele mesmo
e quatro homens da tripulação foram testemunhas oculares: a 15 de fevereiro de 1967, cerca de 10 a
15 minutos antes da aterrissagem em São Francisco, viram, a pouca distância de seu avião, um
objeto voador de cerca de 10 metros de diâmetro, intensamente luminoso, que, durante certo
tempo, voou ao lado deles. Transmitiram suas observações à Universidade de Cobrado que, à falta
de explicação melhor, presumiu que o objeto voador era uma parte de foguete anteriormente
lançado. O capitão aviador declarou que, após 2 milhões de quilômetros de experiências de vôo,
nem ele nem seus colegas poderiam acreditar que um pedaço de metal cadente pudesse manter se
no ar durante um quarto de hora, ter tais dimensões e acompanhá-los no seu vôo. Acreditava tanto
menos nessa explicação, uma vez que, desde a terra, esse corpo voador não identificado pôde ser
observado por quase três quartos de hora. O capitão voador alemão, realmente, não dá a impressão
de ser fantasista!

Dois comunicados do "Süddeutsche Zeitung", Munique, de 21 e 23 de novembro de 1965:

"Belgrado (De nosso correspondente).
Objetos voadores desconhecidos (UFOs) têm sido avistados, há alguns dias, sobre diversas regiões
do Sudeste europeu. No fim da semana, um astrônomo amador em Agram fotografou três desses
objetos celestes luminosos. Enquanto, porém, os peritos ainda davam seus pareceres sobre aquela
fotografia, reproduzida através das colunas de vários jornais iugoslavos, novos UFOs foram vistos
na região montanhosa do Montenegro, os quais, em vários pontos, teriam provocado incêndios
florestais. Esses relatos provêm, principalmente, da localidade Ivangrad, cujos habitantes afirmam,
convicta e insistentemente, que observaram, nos últimos dias, em todas as tardes, corpos celestes
singulares e intensamente ilumina dos. As autoridades, embora confirmem que na região
ocorreram diversos incêndios florestais, não foram capazes, até agora, de indicar uma causa para
isso."
"Sófia (UPI).
Sobre a Capital de Sófia surgiu um UFO. Conforme comunica a Agência Noticiosa búlgara BTA, o
UFO pôde ser avistado mesmo a olho nu. Segundo a BTA, o corpo voador era maior do que o disco
solar, assumindo mais tarde a forma de um trapézio. Consta haver ele irradiado luz forte. Esse
corpo voador também foi observado através de um telescópio em Sófia. Um colaborador científico
do Instituto Búlgaro para Hidrologia e Meteorologia disse que o corpo voador provavelmente se
movia por energia própria. Suspeita se haver voado a 30 quilômetros sobre a Terra."
Há gente que dificulta as pesquisas com uma estupidez sem limites: ora são "contactos", que
afirmam estar em ligação com seres extraterrenos; ora são grupos que desenvolvem, com base nos
fenômenos até agora não esclarecidos, fantásticas idéias religiosas ou concepções de vida absurdas,
ou então afirmam, até, que receberam das tripulações dos UFOs ordens relacionadas com a
salvação da humanidade. Nos fanáticos religiosos, o "anjo-UFO" egípcio naturalmente é enviado de
Maomé; o asiático, de Buda; e o cristão, diretamente de Jesus.
No 7º Congresso Mundial Internacional dos Pesquisadores de UFOs, realizado durante o outono de
1967, o Prof. Hermann Oberth, a quem chamam de "Pai da Cosmonáutica" e que foi professor de
Wernher von Braun, considerou os UFOs ainda como "problema extracientífico"; provavelmente,
porém, assim disse Oberth, os UFOs são "Naves espaciais de mundos estranhos" e acentuou
textualmente: "Ao que parece, os seres que os dirigem estão muito à frente da nossa cultura e, se
formos inteligentes, deles muito poderemos aprender". Oberth, que prognosticou com acerto o desenvolvimento dos foguetes na Terra, suspeita da existência, nos planetas periféricos do sistema
solar, de condições para o surgimento da vida. Oberth, homem de pesquisa, exige que também
cientistas sérios se preocupem com problemas inicialmente de aparência fantástica: "Os cientistas
comportam se como gansos gordos, que não querem digerir mais nada. Idéias novas são
simplesmente recusadas por eles, como sem sentido!"
Sob o título "Suspeita tardia", DIE ZEIT relata, a 17.11.1967: "Anos a fio, os soviéticos tiveram um
sorriso irônico quanto à histeria ocidental sobre discos voadores. No PRAVDA, há não muito tempo
ainda, apareciam desmentidos oficiais de que existissem tais veículos celestes singulares. Agora, o
General de Aviação de Guerra, Anatolij Stoljakow, foi nomeado Diretor de uma Comissão
incumbida de examinar todos os relatórios sobre UFOs. O "Times" de Londres escreve sobre isso:
"Ora, sejam os UFOs produtos de alucinações coletivas, sejam oriundos de visitantes de Vênus, ou
devam ser entendidos como revelação divina - tem de haver uma explicação para eles, senão os
russos nunca teriam organizado um comitê de investigação".
O acontecimento mais espetacular e enigmático quanto ao fenômeno "matéria procedente do
Cosmo", ocorreu às 7 horas e 17 minutos na manhã de 30 de junho de 1908, na Taiga siberiana:
uma bola de fogo cruzou o céu e perdeu se na estepe. Viajantes em trânsito pela Estrada de Ferro
Transiberiana observaram um corpo brilhante que passou de sul a norte. Um trovão abalou o trem,
seguiram se explosões, e a maior parte das estações sismo gráficas do mundo registraram um nítido
abalo. Em Irkutsk - à distância de 900 quilômetros do centro do tremor - o pêndulo do sismógrafo
oscilou durante cerca de uma hora. Num circulo de 1.000 quilômetros foram ouvidos estrondos.
Rebanhos inteiros de renas foram aniquilados; homens, nômades, foram atirados para o ar, junto
com suas tendas. Somente em 1921 o Prof. Kulik começou a colecionar relatórios de testemunhas
oculares; finalmente também conseguiu reunir meios financeiros para uma expedição científica a
essas regiões parcamente colonizadas da Taiga.
Quando, então, no ano de 1927, foi atingida a pedregosa Tunguska, os investigadores estavam
convencidos de que iriam encontrar uma cratera formada pela queda de enorme aerólito. Sua
suspeita provou ser errônea. Já a 60 quilômetros de distância do centro da explosão viram as
primeiras árvores sem copa, e quanto mais se aproximavam do ponto critico, tanto mais erma se
tornou a região. Ali estavam árvores completamente podadas, que até pareciam postes telegráficos;
na área mais próxima do centro, as árvores de maior porte ainda estavam vergadas para fora.
Finalmente encontraram vestígios de um incêndio imenso. Avançando mais para o norte, a
expedição se convenceu de que ali deveria ter ocorrido uma poderosa explosão. Quando, numa
região pantanosa, se encontraram buracos de todos os tamanhos, suspeitou se de queda de
aerólitos; cavaram e perfuraram, nos terrenos pantanosos, sem encontrar qualquer vestígio,
qualquer pedaço de ferro, resto de níquel, nem mesmo fragmentos de rocha. Dois anos mais tarde,
a busca continuou, desta vez com instrumentos maiores de perfuração e outros recursos técnicos.
Perfurou se até a profundidade de 36 metros: nenhum rasto de qualquer material de meteorito foi
encontrado.
Mandaram buscar instrumentos sensíveis, que acusam a menor quantidade de metal no solo. Tudo
ficou sem resultado. Apesar disso, alguma coisa devia ter explodido nesse ponto, pois milhares o
haviam. visto, milhares o haviam ouvido.
Em 1961 e 1963, de ordem da Academia Soviética das Ciências, mais duas expedições foram
enviadas à Tunguska. A expedição de 1963 esteve sob a direção do geofisico Solotow. Este grupo de
cientistas, equipado com os mais modernos instrumentos técnicos, chegou à conclusão de que na
Tunguska siberiana deveria ter acontecido uma explosão nuclear.
A espécie de uma explosão é passível de ser determinada quando forem conhecidas diversas ordens
de grandeza física relacionadas com sua produção. Uma dessas grandezas na explosão da Tunguska
foi estabelecida através da quantidade de energia radiante emitida. Na Taiga, distante 18 quilômetros do núcleo da explosão, foram encontradas árvores que, no momento da explosão,
estavam expostas à radiação e que por isso se incendiaram. Uma árvore vicejante, porém, pode
pegar fogo tão somente quando a incidência de energia por centímetro quadrado perfizer cerca de
70 a 100 calorias. O relâmpago explosivo, entretanto, atingiu tal poder que, ainda à distância de 200
quilômetros do epicentro, projetou sombras secundárias!
De tais medições resultou que a energia radiante da explosão deve ter sido aproximadamente de 2,8
x1023
 erg. (Explicando: o erg, nas ciências naturais, vale como a chamada "medida de trabalho".
Um besouro que pesa 1 grama efetua o trabalho de 1 erg quando sobe num, parede à altura de 1
centímetro.)
Num raio de 18 quilômetros encontraram se, nas copas das árvores, ramos grossos e finos
chamuscados. Dali pode se deduzir que se tratava de um calor repentino: conseqüência de uma
explosão, não de um incêndio de floresta! Tais carbonizações foram encontradas apenas onde não
havia obstáculos que impedissem o caminho da radiação. Portanto, clara e inquestionavelmente
deve ter se tratado de radiação. Para causar todos esses efeitos, a energia irradiada deve ter
atingido 1023
 ergs. Essa energia imensa corresponde à força destruidora de uma bomba atômica de
10 megatons ou

100.000.000.000.000.000.000.000 de ergs! 

Todos os resultados das pesquisas confirmam uma explosão nuclear e relegam interpretações como
a queda de um cometa ou a de um grande meteorito, como causa do fenômeno, ao reino da fábula.
Quais as explicações que se oferecem para essa explosão nuclear no ano de 1908?
Em março de 1964, num artigo inserto no renomado jornal Svesda, de Leningrado, foi defendida a
tese de que seres inteligentes de um planeta da constelação do Cisne teriam tentado entrar em
contacto com a Terra. Os autores, Genrich Altow e Valentina Schuralewa, afirmaram que o
impacto na Taiga siberiana teria sido uma espécie de resposta à violenta erupção, semelhante a
uma explosão, do vulcão Cracatoa, no Oceano Índico, vulcão esse que, por ocasião de sua erupção
em 1853, teria arremessado um feixe considerável de ondas de rádio ao espaço cósmico. Por um
engano, os longínquos seres estelares teriam interpretado as ondas de rádio como um sinal
procedente do espaço cósmico; por isso teriam dirigido á Terra um raio Laser demasiado forte e
este, incidindo sobre a atmosfera terrestre a grande altura, sobre a Sibéria, ter se ia transformado
em matéria. Admitimos que essa interpretação é inaceitável, porque nos parece por demais
fantástica!
Tampouco podemos aceitar a teoria que tenta explicar o fenômeno pelo choque de antimatéria.
Embora admitamos a existência de antimatéria nas profundidades do Cosmo, se ela tivesse sido a
causa da explosão nada mais deveria existir na Tunguska, uma vez que o choque de matéria e
antimatéria tem como conseqüência a dissolução recíproca.
Além disso, a chance de um pedaço de antimatéria atingir a Terra, após longo trajeto sem colisões
com matéria, é muito reduzida.
Preferimos acompanhar a opinião daqueles que suspeitam naquele fenômeno a explosão da pilha de
energia atômica de uma nave espacial extraterrestre. Fantástico? Sim, certamente. Mas só por isso
tem de ser impossível?
Sobre o aerólito da Tunguska há uma literatura capaz de encher estantes. Há um fato mais a
ressaltar: a radioatividade ao redor do centro da explosão, em Taiga, é o dobro - ainda hoje! - do
que em qualquer outra parte. Investigações minuciosas nas árvores e seus anéis anuais confirmam
um notável aumento de radioatividade desde 1908. Enquanto não se apresentar uma única prova científica exata, indubitável - e muita coisa mais -
com relação a esse caso, ninguém tem o direito de repelir, sem motivação, uma interpretação que se
enquadra no âmbito do concebível.
Sobre os planetas do nosso sistema solar temos um conhecimento razoável; a "vida", em sentido
terrestre, viria ao caso em proporção muito restrita, e, em última hipótese, somente quanto a
Marte. O homem definiu os limites teóricos para a possibilidade de vida, de acordo com seu ponto
de vista; esse limite é denominado ecosfera. Em nosso sistema solar, somente Vênus, a Terra e
Marte ficam dentro dos limites da ecosfera. Entretanto, cumpre levar em consideração que tais
limites da ecosfera emanam das nossas idéias sobre a vida, e que tipos desconhecidos de vida podem
existir em condições diferentes das nossas. Até 1962, Vênus era tida como espaço de vida possível,
isto é, até que o Mariner II chegasse a 34.000 quilômetros daquele planeta. Segundo as informações
transmitidas, nem Vênus entra mais em consideração como portadora de vida no sentido humano.
Dos relatórios do Mariner II se depreende que a temperatura superficial de Vênus, tanto ao lado do
Sol como da sombra, alcança em média 430 graus centígrados. Tal temperatura não admite a
ocorrência de água à superfície; somente lagos de metal fundido poderiam existir. A idéia, que se
tornara tão familiar, de Vênus como graciosa irmã gêmea da Terra, já foi superada, se bem que o
hidrocarboneto existente possa servir de meio de cultura para bactérias de toda espécie.
Não faz muito tempo, alguns cientistas afirmaram ser inimaginável a vida em Marte. Há menos
tempo, a versão era que quase não era imaginável. Depois da bem sucedida missão informativa do
Mariner IV, porém, é preciso admitir se, embora hesitantemente, certa escala de possibilidades
vitais em Marte. Ainda que não possamos aderir à teoria de vida inteligente em Marte, queremos
assim mesmo considerar possíveis certas formas de vida inferior no planeta vermelho. Também
situa se no âmbito do possível que nosso vizinho Marte, há incontados milhares de anos, tenha
possuído uma civilização própria. Atenção especial merece, em qualquer caso, a lua marciana
Fobos.
Marte tem duas luas: Fobos e Deimos (grego: medo e terror). Muito antes de o astrônomo
americano Asaph Hall haver descoberto essas luas no ano de 1877, já eram conhecidas. João
Kepler, já em 1610, suspeitava que Marte fosse acompanhado por dois satélites. Embora o monge
capuchinho Schyrl afirmasse, poucos anos depois, haver visto as luas de Marte, deve ele ter sido
vítima de uma ilusão, pois, através dos instrumentos ópticos da sua época, as minúsculas luas de
Marte de modo algum seriam perceptíveis. Fascinante, aliás, é a narração que Jonathan Swift dá
em 1727, em seu livro "Viagem a Liliput" (é uma das viagens de Gulliver!): ele descreve, não só as
duas luas de Marte, mas até indica suas dimensões e órbitas. Citemos um trecho do 3º Capitulo:
"Os astrônomos liliputianos despendem muito tempo de sua vida em observar os corpos celestes e
usam para isso lentes, que são muito superiores às nossas. Embora seus telescópios não atinjam um
metro de comprimento, produzem maior aumento que os nossos de quase cem metros e mostram as
estrelas com muito maior brilho. Esta vantagem permitiu-lhes superar os astrônomos da Europa,
pois já conseguiram elaborar um catálogo de 10.000 estrelas fixas, quando os nossos não contém
mais que um terço desse número. Eles descobriram, entre outras, duas estrelas menores, ou
satélites, que giram ao redor de Marte. O mais próximo dista do centro do planeta exatamente três
diâmetros deste último; o mais distante, cinco. O primeiro completa seu ciclo num período de 10, o
último, num período de 21,5 horas, pelo que os quadrados dos períodos de rotação se aproximam
fortemente da terceira potência de sua distância do centro de Marte. Isso mostra que estão sujeitos
à mesma lei de gravitação que também rege os outros corpos celestes".
Como pôde Swift descrever os satélites de Marte, uma vez que só 150 anos mais tarde foram eles
descobertos? Sem dúvida, os satélites marcianos já antes de Swift haviam sido suspeitados por
alguns astrônomos, mas suspeitas nunca são o suficiente para indicações de tamanha precisão. Não
sabemos de onde auferiu Swift seus conhecimentos. Realmente, esses satélites são as menores e mais singulares luas do nosso sistema solar: sua rotação
se realiza em órbitas quase circulares sobre o equador! Se eles acaso estiverem a refletir a mesma
quantidade de luz que a nossa lua, então Fobos deve ter um diâmetro de 16 quilômetros e Deimos
um de 8 quilômetros apenas. Se, no entanto, forem satélites artificiais, polidos, então, de fato,
devem ser ainda menores. São as únicas luas do nosso sistema solar, conhecidas até o presente, cuja
revolução se completa a velocidade maior do que a de rotação do próprio planeta. Com relação à
rotação de Marte, Fobos completa, em um dia marciano, dois ciclos, ao passo que Deimos se move
pouco mais velozmente do que Marte em torno de seu próprio eixo.
Em 1862, quando a Terra se encontrava em posição muito favorável em relação a Marte, procurou
se em vão pelas luas marcianas, mas só 15 anos mais tarde foram elas descobertas! Surgiu a teoria
dos planetóides, suspeitando vários astrônomos que as luas marcianas fossem fragmentos do espaço
cósmico, que Marte houvesse aprisionado. Entretanto, a teoria dos planetóides não é sustentável:
pois ambas as luas de Marte giram quase que no mesmo nível sobre o equador. A um fragmento do
espaço cósmico isso poderia ocorrer por acaso. Mas não a dois. Finalmente, fatos mensuráveis
foram trazidos à luz, daí originando se a moderna teoria de satélites verdadeiros.
O renomado astrónomo americano Carl Sagan e o cientista russo Shklovsky corroboram em seu
livro "Intelligent Life in the Universe", publicado em 1966, a teoria de que a lua Fobos é um satélite
artificial. Como resultado de uma série de medições, Sagan chegou á conclusão de que Fobos deve
ser oco, e uma lua oca não pode ser natural.
De fato, as características da órbita de Fobos não apresentam relação alguma com sua massa
aparente, enquanto correspondem ás órbitas típicas de corpos ocos. O russo Shklovsky, Diretor da
Divisão da Radioastronomia do Instituto Sternberg de Moscou, lança a mesma afirmação, após
haver observado que, no movimento da lua marciana Fobos, uma singular aceleração antinatural é
constatável. Essa aceleração seria idêntica à que se verifica também em nossos satélites artificiais.
Hoje em dia, as teorias fantásticas de Sagan e Shklovsky são levadas muito a sério. Os americanos
estão planejando mais sondas marcianas, que também deverão examinar as luas marcianas. Os
russos planejam estudar os movimentos das luas marcianas nos próximos anos, operando de
diferentes observatórios.
Caso esteja certa a opinião defendida por eminentes cientistas a leste e oeste, de que Marte possuiu
em certa época uma civilização evoluída, então surge a pergunta: Por que ela não existe hoje?
Teriam as inteligências marcianas necessidade de procurar novo espaço vital? Obrigou os seu
planeta pátrio, que cada vez perdia mais e mais oxigênio, a procurarem outras regiões habitáveis
no Cosmo? Ou terá uma catástrofe cósmica causado o naufrágio daquela civiluação? E finalmente .
Pôde uma parte dos habitantes marcianos salvar se, emigrando para um planeta vizinho?
No livro "Worlds in Collision" (Mundos em Colisão, no Brasil), publicado em 1950 e ainda hoje
muito discutido nos círculos especializados, o Dr. Emanuel Velikovsky afirma que um cometa
gigante teria se chocado com Marte e que dessa colisão se teria formado Vênus. Isso poderia ser
com provado se Vênus tivesse alta temperatura superficial, nuvens de hidrocarbonetos e uma
rotação anormal. A avaliação dos dados fornecidos pelo Mariner II, confirma as teorias de
Velikovsky: Vênus é o único planeta que gira "para trás", o único planeta, por tanto, que não se
atém, como Mercúrio, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano ou Netuno, às regras do jogo do nosso
sistema solar..
Se, porém, uma catástrofe de origem cósmica pode ser levada em consideração como causadora do
aniquilamento de uma civilização sobre o planeta Marte, então tais indícios também reforçam
nossa teoria de que a Terra, em obscuros tempos arcaicos, possa ter recebido visitas do espaço.
Fica, portanto, de pé a possibilidade especulativa de que grupos de gigantes marcianos quiçá se salvaram na Terra, onde fundaram, em conjunto com os seres semi inteligentes vivendo aqui então,
a nova cultura do Homo sopiens. Como a gravitação de Marte é menor do que a da Terra, é de se
supor que a constituição física do homem de Marte fosse mais robusta e de porte maior do que a
dos habitantes da Terra. Se nessa teoria houver um balo de realidade, então teríamos os gigantes
que vieram das estrelas, que eram capazes de mover blocos colossais de pedra, que ensinaram aos
homens artes ainda ignoradas e que, finalmente, se extinguiram...
Nunca soubemos tão pouco de tanta coisa, como hoje. Estamos certos de que o tema "Homem e
Inteligências Extraterrenas" se conservará em pauta para pesquisas até que todos os enigmas
decifráveis tiverem sido solucionados.
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